Dr. Leôncio Queiroz Neto Ultilidade Pública

Tecnologia

rompe barreiras do olho seco

 

Nova tecnologia permite visualizar alterações na lágrima, melhora a adesão ao tratamento e

os resultados das cirurgias de ceratocone.

 

A poluição típica da primavera somada à baixa umidade

do ar faz 12% dos brasileiros sofrerem com a síndrome

do olho seco. Uma pesquisa “online” feita pelo oftalmologista

Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier em

Campinas, com 315 portadores de ceratocone, doença que

afi na e faz a córnea tomar a forma de um cone, mostra

que neste grupo a incidência de olho seco chega a 24%. A

boa notícia é que o especialista acaba de trazer para o Brasil

uma nova tecnologia capaz de diagnosticar até casos

assintomáticos da síndrome. O equipamento foi lançado

no início deste mês em Lisboa durante o congresso da ESCRS

(European Society of Cataract & Refractive Surgery).

O médico afi rma que substitui o diagnóstico subjetivo por

avaliações objetivas que podem ser visualizadas pelo paciente.

A avaliação contém informações das alterações nas

três camadas da lágrima – mucina, aquosa, lipídica – e das

glândulas de meibomio responsáveis por 80% da camada

lipídica do fi lme lacrimal.

Qualidade de visão

Queiroz Neto conta que a possibilidade de ver a melhora

da disfunção lacrimal durante o acompanhamento médico

do olho seco tem estimulado a adesão ao tratamento entre

europeus assintomáticos. Para ele, o mesmo deve acontecer

por aqui porque toda pessoa fi ca estimulada a seguir

um tratamento quando consegue enxergar a melhora. Em

quem apresenta sintomas, afi rma, o olho seco causa coceira,

queimação, olhos vermelhos e irritados, sensibilidade

 

 

 

à luz, desconforto para dirigir, trabalhar no computador,

ler e ver televisão. Tanto nos casos sintomáticos como

nos assintomáticos, o oftalmologista afi rma que a falta de

lágrima deixa a visão embaçada além de poder desencadear

alergia, conjuntivite, infl amação na córnea e danos

nas glândulas de meibomio.

“Mesmo que não cause outras doenças, o olho seco causa

perda da visão funcional. Por isso, compromete o resultado

das cirurgias de ceratocone, refrativa e catarata” pontua.

Para quem tem ceratocone, a coceira nos olhos é o

principal fator de risco evitável da progressão da doença.

Colírio e cirurgia preventiva

O oftalmologista destaca que a maioria das pessoas com

olho seco acreditam que podem usar qualquer lágrima

artifi cial e por isso pioram a síndrome. “Os colírios com

conservante podem tornar o problema crônico porque algumas

pessoas são alérgicas”, afi rma. A reação é ainda

mais frequente em quem tem ceratocone. Isso porque na

pesquisa feita pelo médico, 50% dos participantes tinham

algum tipo de alergia contra 20% a 30% da população. A

dica é escolher lágrima artifi cial sem conservante ou com

conservante virtual que desaparece quando em contato

com a superfície do o olho”, afi rma.

A única cirurgia que previne a progressão do ceratocone,

pondera, é o crosslink – associação de vitamina B2 (ribofl

avina) e radiação UV (ultravioleta) para aumentar a resistência

da córnea em até três vezes. A má notícia é que

este tratamento não pode ser feito em ceratocone avançado.

O especialista diz que cicatrizes na córnea sinalizam

que já passou da hora de tentar evitar a progressão.

 

Lente escleral

A evolução do ceratocone pode difi cultar a adaptação de

lente de contato rígida para corrigir ao ceratocone. Segundo

Queiroz Neto, uma alternativa pode ser a lente escleral

que invés de fi car apoiada na córnea se apoia na esclera,

parte branca do olho.

Outras vantagens deste tipo de lente são a maior estabilidade

no olho, a diminuição da evaporação da lágrima

e, consequentemente do olho seco, além de reter menos

corpos estranhos.

Anel intracorneano

Quem não consegue uma correção visual satisfatória com

lente de contato deve consultar um oftalmologista sobre o

implante de anal intracorneano. Trata-se de um implante

na camada interna da córnea, o estroma, para aplanar seu

formato.

Transplante

Queiroz Neto afi rma que o ceratocone responde por 7 em

cada 10 transplantes de córnea no Brasil, apesar de todos

avanços de tratamento e cirurgia que podem evitar o procedimento.

A cirurgia manual exige 3 vezes mais tempo

de recuperação e número de pontos, mas ainda é a mais

realizada no país. O primeiro passo para manter a integridade

do olho é consultar o oftalmologista periodicamente

e ter a máxima atenção com a lubrifi cação ocular, conclui.

Dr. Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista presidente do Instituto

Penido Burnier em Campinas/SP www.drqueirozneto.com.br

 

 

 

Sobre a Percepção Cromática... histórias, descobertas e teorias.
Juliana Matarezio Curiosidades

 

Escrever sobre cores não é uma tarefa fácil, elas podem nos levar por diversas áreas do conhecimento: Óptica, Fisiologia, Neurofisiologia, Biologia e até mesmo Metafísica. Sendo um tema muito atraente para todos que se envolvem com estudos sobre a visão.

O que pretendemos neste artigo é algo bem mais modesto do que grandes obras publicadas sobre o tema, mas a vontade de contribuir de uma forma mais condensada e suscinta nos motivou a traçar uma linha histórica acerca dos estudos sobre a visão de cores, uma viagem que remonta séculos e milhares de páginas.

Nosso obejtivo com isso? Incentivar e difundir conhecimento.

“Todos os homens, por natureza, anseiam o conhecimento. Uma indicação disso é o prazer que tomamos em nossos sentidos, pois, mesmo sendo além de sua utilidade, eles são amados por si mesmos, e acima de todos os outros, o sentido da visão. Pois não só a visão para a ação, porque mesmo quando não vamos agir em nada, preferimos a visão sobre quase todo o resto. A razão disso é que acima de todos os sentidos que nos faz saber, [a visão] traz à tona muitas diferenças entre as coisas.”

Aristóteles

 

A infinidade de cores que percebemos faz com que a cor seja uma sensação subjetiva e cercada por enigmas. Pessoas ao falar sobre cores dizem que sua experiência é exclusiva. Sabemos que não percebemos as cores do mesmo modo. Da mesma forma como não sentimos uma dor com a mesma intesidade, mas mesmo assim podemos saber o que é uma dor de dente sem precisar ver a ficha dentária do outro. Assim também podemos chegar a um consenso sobre as diferenças entre as cores “laranja” e “roxo”.

Somos capazes de organizar objetos da mesma cor, mesmo que existam pessoas melhores nisso do que outras. Concordamos que existe um eficiente sistema de organização de cores, que nos possibilita agrupar objetos de maneira coerente, e com pouca discordância de quem esteja ao nosso lado. Localizamos a cor no espaço de maneiras ligeiramentes diferentes, mas todos vemos a mesma cor no espaço.

História das Cores

Os cientistas do século 17 estavam interessados no comportamento da luz – as luzes coloridas avistadas através dos prismas eram motivo de fascínio. Em 1666, no quarto onde nascera, no solar Woolsthorpe, Lincolnshire, Isaac Newton (1643-1727) iniciou suas experiências como o “famoso fenômeno das cores”, no qual ele faz algumas considerações importantes, como de que a cor não é uma propriedade dos objetos, mas de que é gerada pelo próprio olho. Ele atribuiu valores físicos para as diferentes luzes coloridas, salientou que a luz branca não era uma coisa única; mas a mistura das diferentes espécies de luz. Mas ele falhara em explicar o processo de reflexão, na qual enxergamos as cores. Restou-lhe pesquisar como separar as características físicas das cores de suas propriedades fenomênicas. Não conseguiu e sabia que fracassara, por isso postergou por 12 anos a publicação de seu livro “Opticks”, até a morte de seu rival e gênio da época, Robert Hooke, cuja obra “Micrographia” (1655) também merece ser lida.

 

Nascido em 1773, em uma família de quakers, Thomas Young, o “Fenômeno” assim apelidado por seus colegas da Universidade de Cambridge, era Médico e professor de filosofia natural. Das muitas constribuições para a ciência, salientamos que, apenas aos 20 anos de idade, mostrou aos membros da Sociedade Real como o olho humano acomoda usando os músculos ciliares. Em 1801, proferiu palestras diversas sobre acústica, bombas de ar, vida animal, astigmatismos e astronomia, e naquele mesmo ano também provou que a ”luz era uma onda”. Mas, de certa forma, foi ignorado pela comunidade científica por sua teoria desmentir à Newton sobre sua teoria corpuscular da luz, na qual ele afirmava que a luz era um tipo de matéria.

Thomas Young

 

De fato, o maior número de impulsos que um nervo pode transmitir é ligeiramente inferior a 1.000/segundo, ao passo que a frequência de luz é de um milhão de milhões de ciclos por segundo. O problema é o seguinte: De que modo a frequência da luz é representada pelo sistema nervoso que é de lenta ativação?

No final do século 19 estava evidente que qualquer correlação entre a física da luz e a percepção de cores poderia ser explicada pela biologia. Auguste Fresnel realizou uma série de experimentos com provas mais concretas alguns anos depois. Prova de seu talento e vantagem intectual para desenvolver experências, graças a Fresnel, Thomas Young, pode dar corpo a sua teoria pela qual ele é até hoje reconhecido, pois ele buscou respostas da existência das cores primárias não na natureza da luz, mas na constituição do homem.

Young entendera que seria impossível existir um tipo de célula para cada cor percebida, pois, para que isso ocorresse, seria necessário mais de 200 tipos de fotoreceptores diferentes. Escrevendo um pouco mais tarde, ele reiteirou que as “cores principais eram três”.

A possibilidade de que toda gama possa ser dada por apenas algumas cores “principais” fica evidente através da observação de que as cores podem ser misturadas, pois o olho se comporta diferente do ouvido a esse respeito. Dois sons podem gerar um terceiro ao ser misturado, mas duas cores dão uma terceira cor em que seus componentes não podem ser identificados. Os sons combinados podem ser ouvidos como um acorde, mas cada som de cada instrumento pode ser identificado separadamente, pelo menos aos ouvidos bem treinados, mas com a luz isso não é possível.

 

É preciso que nessa altura sejamos claros sobre o que dizemos acerca da mistura de cores. O pintor combina amarelo e azul para produzir o verde, mas ele não está misturando luzes; o que esta fazendo é misturar espectro total de cores “menos as cores absorvidas pelos seus pigmentos”. Eu sei... você deve estar pensando: “que confuso isso!” mas é mesmo. Por isso vamos deixar de lado os pigmentos e considerar apenas a mistura de luzes coloridas, as quais podem ser obtidas por filtros e prismas. O amarelo é obtido na combinação da luz verde com a vermelha, para Young o amarelo é sempre visto de maneira eficaz quando os dois grupos de receptores verde e vermelho são estimulados de maneira equilibrada. A teoria tricromática proposta por Thomas Young (1773-1829), e desenvolvida por Helmholtz, ainda é a melhor que temos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edwin H. Land, foi sem dúvida, depois de Thomas Edson, o inventor mais prolífico a ter suas invenções catalogadas no registro de patentes americano. Nascido em 1909, em Connecticut, era fascinado pela óptica. Com apenas 19 anos inventou o filtro polarizador. Land que desejava salvar vidas, beneficiou a humanidade de maneira indireta: inventou os óculos de sol, filmes em 3D, vários instrumentos para laboratório e, em um dia ensolarado passeando com sua filha em um zoológico, imaginou a fotografia polaróide. Suas pesquisas sobre visão, significaram realmente um grande avanço sobre o conhecimento do assunto. Sua teoria marcou época e ficou conhecida como teoria “retinex” que significa retina + cortex.

 

Edwin Land prepara um mondrian para testar a solidez da visão de cores.

Unindo os conhecimentos da teoria da oponência cromática de Hering, a qual na edição passada explicamos, e a teoria tricromática de Young-Helmholtz, feito que até então poucos tentaram, de tão antagônicas que aparentavam ser, e reproduzindo todas as experiências já realizadas para verificar até onde chegava a percepção de cores. Land chegou a conclusões fenomenais. Para ele contexto é tudo. O olho não está interessado em níveis absolutos de iluminação, tampouco, valores absolutos de cor. Cada cor é percebida em relação à outra, assim cada trecho de luz é percebido em relação a cada trecho de sombra. Ou seja, percebemos a cor de uma superfície comparando sua capacidade de refletir comprimentos de onda curtos, médios e longos contra a das superfícies adjacentes. Em outras palavras, fazemos uso do contraste das cores do local. Diminuindo o contexto visual, ficaremos suscetíveis às ilusões de contrastes. Os três contrastes que afetam nossa percepção da luz são: quão vívida é a luz; tonalidade (sua cor); e saturação (como a luz é diferenciada de um cinza que tem a mesma luminosidade).

Caso esteja achando muito complicado, proponho um teste muito simples: na figura abaixo temos dois blocos com tons de cinza de diferentes tonalidades certo? Não mesmo! Experimente colocar seu dedo bem no meio da divisão entre os blocos e descubra você mesmo.

 

Como isso é possível ? Land já nos respondeu: “o contexto é tudo”. Ao mudar o contexto, ou seja, colocar seu dedo entre os blocos, a ilusão de percepção existente foi eliminada. A ilusão Cornsweet explora a inibição lateral do cérebro, que cria mais contraste entre os dois objetos quando eles têm diferentes bordas coloridas. Ao colocar o dedo eliminando o contraste, vemos que a grande diferença de tonalidade entre os cubos era ilusória.

Edwin Land morreu em 1º de março de 1991, aos 82 anos. Seu trabalho prático, seus algoritimos e seu kit básico – mondrians e projetores – tornaram-se matéria-prima dos laboratórios que estavam desenvolvendo as melhores câmeras fotográficas e a visão artificial.

 

Sobre a Discromatopsia

 

De Manchester, em fevereiro de 1794, um professor quaker, John Dalton, escreveu para seu amigo e mentor Elihu Robinson:

“Estou envolvido atualmente em uma pesquisa muito instigante: no verão passado, descobri que vejo as cores de maneira diferente das outras pessoas. Durante o dia eu vejo as flores de Cranesbills da cor do céu, enquanto os outros dizem que são rosa vivo. Certa noite, quando as vi à luz de velas, percebi uma cor muito diferente da que tinha visto durante o dia; parecia próxima do amarelo, mas com toques vermelhos. Ninguém mais dizia que a cor era diferente da diurna, exceto meu irmão, que parece ver assim como eu...”

 

Uma simples flor cor-de-rosa serviu de tema para o primeiro artigo científico de Dalton, conduzindo-o para uma carreira de sucesso. John Dalton (1766-1844), continuou suas pesquisas, desenvolveu a morderna teoria atômica, diversas leis sobre o comportamento dos gases e tornou-se célebre por seus serviços à ciência, filantropia e educação. O termo daltonismo, derivado do seu nome, ficou mundialmente conhecido como a incapacidade de ver cores, ou discromatopsia.

Seu primeiro artigo científico, Extraordinary facts relating to the vision of colours, publicado em 1798, foi uma revolução. A indústria estava tornando o mundo mais colorido, através da implantação de placas coloridas de identificação. Esse tipo de sinalização estava se proliferando, facilitando a vida dos operários e das pessoas que viviam em gandes centros urbanos. O ensaio de Dalton – uma descrição rigorosa da discromatopsia – sugeriu que a cor não era uma linguagem universal como todos na época concordavam.

Um século depois, em 1875, uma colisão de trens na Suécia, deixou todos atônitos pelo simples fato de o acidente ter sido causado por um maquinista que não reconheceu a cor vermelha de aviso. A partir de então, começou a se desenvolver testes de visão de cores, para todos os funcionários, o que acabou sendo norma em todos os países. Hoje, a cegueira de cores é menos perigosa que no passado, mas ainda é uma desvantagem, principalmente, para quem trabalha com internet, pois os sites não são desenvolvidos para os daltônicos.

Após sua morte, seu médico pessoal e amigo, Joseph Ransome, removeu os olhos de Dalton para analisar, e percebeu que os humores aquoso e vítreo eram incolores, assim como o cristalino, que estava um pouco amarelado devido à idade avançada. Dalton, que havia desenvolvido sozinho a teoria atômica moderna, além de seus estudos sobre a existência e hereditariedade da discromatopsia, entre outras doenças, por meio de seu médico e além-túmulo, sua experiência póstuma e final, testando a teoria por ele cultivada durante 50 anos devido a sua própria discromatopsia. O resultado foi conclusivo: Dalton estava equivocado. Até o dia de hoje a teoria de Young sobre a cegueira das cores é aquela com a qual nos sentimos mais confortáveis.

O que sabemos sobre percepção de cores atualmente?

 

Para distinguir o tipo de fótons que chegam, existem os cones, ou melhor três tipos de cones, os quais contém pigmentos que absorvem preferencialmente fótons de grande, médio ou pequeno comprimento de onda. Para simplificação podemos designá-los de cone azul (absorve preferencialmente fótons de pequeno comprimento de onda), cone verde (absorve preferencialmente fótons com comprimento de onda médio) e cone vermelho (absorve fótons preferencialmente com grande comprimento de onda).

Perante uma luz monocromática cada um dos cones vão absorver diferentes comprimentos de onda, para produzir uma resposta que será proporcional ao número de fótons absorvidos. O tamanho relativo de cada uma das três respostas será então medido e interpretado pelo cérebro do qual resultará em uma determinada cor. Investigações recentes comprovaram que cada cone contém pigmentos sensíveis à cada um daqueles comprimentos de onda, mas também revelaram que em cada fotorreceptor predomina um tipo de pigmento, ou seja no cone azul existem também pigmentos sensíveis ao verde e ao vermelho mas numa quantidade muito diminuta em relação aos pigmentos que são sensíveis ao azul.

Proporcionalmente, podemos dizer que num cone azul existem 100 000 pigmentos sensíveis ao azul para 1 pigmento sensível ao verde ou ao vermelho. A constituição dos nossos cones é determinada pelos nossos genes mais concretamente, pelo cromossoma sete, e pelo cromossoma X. Uma má formação neles podem ter como consequência uma má formação dos cones e dos respectivos pigmentos, o que levará à uma deficiência na percepção da cor numa determinada zona do espectro visível (exemplo do Daltonismo).

Tipos de Daltonismo

Não existem níveis de Daltonismo, apenas tipos. Podemos considerar que existem três grupos de discromatopsias: Monocromacias, Dicromacias e Tricromacias Anômalas. A Dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de:

- Protanopia (em que há ausência na retina de cones “vermelhos” ou de “comprimento de onda longa”, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro.

 

- Deuteranopia (em que há ausência de cones “verdes” ou de comprimento de onda média, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho).

- Tritanopia (em que há ausência de cones “azuis” ou de comprimento de onda curta, resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo).

Nos séculos 18 e 19, a descrição dos processos físicos e fisiológicos da visão e percepção de cores, assim como a cegueria das cores nos forneceram as primeiras provas para os estudo da hereditariedade humana. Desde então, a ciência genética atual tem retribuído, oferecendo-nos uma história rica, complexa e completa da percepção das cores. Este fértil tema que foi o assunto deste artigo, não acaba por aqui, na próxima edição daremos continuidade. Até lá....

 

Milene Muñoz Marketing
Ney Dias Coluna do Professor
Sergey Cusato Jr. Contatologiua
Síndrome do olho seco: Sinais e Sintomas

Resumo: A síndrome do olho seco constitui um desafi o

para o profi ssional de saúde visual devido a persistência

dos sintomas mesmo nas diferentes aplicações terapêuticas.

Estando o olho seco entre as principais queixas nos

consultórios. Neste estudo demonstra-se a defi nição conceitual,

estudos sobre a origem desta síndrome, o prognóstico

e seus cuidados para uma confi rmação precisa do

caso, assim como a indicação do tratamento.

 

Palavra chave: Olho Seco; Filme Lacrimal

 

Introdução

A síndrome do olho seco é uma disfunção do fi lme lacrimal

sendo uma das queixas mais frequentes em consultórios,

 

Conceito

Em relação à origem e às causas da síndrome do olho

seco existem muitas divergências, alguns estudiosos como

Scapi sugere que esta alteração do fi lme lacrimal está associada

à produção defi ciente de lágrimas e à manutenção

da superfície da córnea e conjuntiva. Outros como Lemp et

al dizem que esta síndrome está associada a um distúrbio

associado a defi ciência e evaporação da lágrima, causando

desconforto e danos e estes danos podem se estender para

além das regiões da pálpebra em direção à zona superior

do globo. O fato de o paciente não apresentar sintomas

não exclui o diagnóstico de olho seco, desde que se tenha

evidências da instabilidade lacrimal e de dano na superfície

ocular e mesmo sem o dano possa estar presente esta

síndrome se houver evidências de instabilidade lacrimal.

Na imagem 1 podemos observar em segundos o tempo

de evaporação da película lacrimal.

 

Há também autores que afi rmam que a ausência ou

baixa qualidade de um ou mais componentes do fi lme lacrimal

é que resultam nas desordens do olho.

Há de se considerar que a superfície ocular é composta

por glândulas lacrimais principais e acessórias, glândulas

meibomianas e conexões neurais e que qualquer alteração

em alguma destas estruturas interfere no conjunto dos

resultados de uma boa lubrifi cação ocular e qualidade da

lágrima, assim como que a presença de fatores externos

como a ação de microorganismos e, mesmo, o simples

ato de piscar também são aspectos a se analisar. Segundo

Murube, a defi nição mais precisa para a síndrome é: “um

desajuste entre a qualidade ou composição da lágrima e

as necessidades da superfície ocular”. O autor sugere, inclusive,

a substituição do termo “olho seco” por disfunção

lacrimal. (FRIDMAN, et al, 2004, p. 182).

 

Figura 1:Evaporação da película lacrimal. Fonte: Cusato Jr.

Notamos que o BUT com quebra antes de 5 segundos

mostrando um olho seco severo. Cortesia Cusato Jr.

Autores como Gomes et al defi nem o olho seco como

sendo uma diminuição na quantidade, modifi cação da

qualidade e estabilidade da lágrima.

Figura 2: Principais glândulas lacrimaisFonte: ALVES, 2010.

 

Segundo Murube, o diagnóstico de olho seco ou disfunção

lacrimal deve ser complementado por três notas

classifi catórias referentes a: etiologia, subsistema afetado

e gravidade. Exemplifi cando, um indivíduo portador de

síndrome de Sjöegren primária, com defi ciência aquosa

e mucínica, e com gravidade média pode ser classifi cado

como: SS1, AMLEI, ++. (FRIDMAN, et al, 2004).

 

Figura 3: Lesão no tarso superior em olho seco severo.

Fonte: Cusato Jr.

Figura 4: Paciente com Síndrome Sjöegren. Fonte: Cusato Jr.

estima-se que entre 15 a 40% da população geral,

sendo mulheres e idosos os grupos mais atingidos. Os

sintomas variam desde desconforto ocular até dor secura

e incapacidade de manter os olhos abertos.

Nesta síndrome segundo Fridman et al (2004), algumas

mudanças na superfície ocular dão aspectos de

anormalidades que abrangem erosões superfi ciais puntiformes,

placas mucosas, defeitos epiteliais e fi lamentos

corneanos. Em alguns casos mais severos ocorre complicações

como úlceras de córnea.

Embora se tenha muito estudo sobre o assunto, muitas

opções terapêuticas não apresentam resultados satisfatórios,

resultando em frustração para o profi ssional e

principalmente para o paciente.

Segundo Fonseca, Arruda e Rocha (2010), a hiperosmolaridade

é a alteração na composição da lágrima que

ocorre na maioria dos casos de olho seco, considerada

como padrão-ouro para o diagnóstico de olho seco. Tratase

do resultado da anormalidade e perda acelerada das

células epiteliais da superfície ocular, levando à instabilidade

do fi lme devido à ausência do glicocalyx produzido

por estas células, isto gera a perda da camada hidrofílica

na superfície corneal, e em alteração na barreira antimicrobiana.

Além disso, a perda das células epiteliais deixa

as terminações nervosas corneais expostas a insultos ambientais,

levando ao desconforto ocular crônico.

 

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da síndrome do olho seco incluem

irritação, lacrimejamento, queimação, sensação de corpo

estranho ou de ressecamento, prurido leve, fotofobia, turvação

visual, intolerância à lente de contato, hiperemia,

secreção mucóide, frequência do piscar aumentada, fadiga

ocular, fl utuação diurna, sintomas que pioram no fi nal do

dia.

Outros aspectos a se levar em consideração no diagnóstico

incluem as condições relacionadas a exacerbações

como por exemplo, vento, viagem aérea, umidade reduzida,

esforço visual prolongado associado à diminuição da

frequência do piscar durante leitura e uso de computador.

Como podemos observar na imagem (Figura 6) sinal

de hiperemia++

Também se observa o histórico ocular que inclui a verifi

cação do uso de medicações tópicas utilizadas e seus

efeitos sobre os sintomas por exemplo, lágrimas artifi ciais,

lubrifi cantes, anti-histamínicos, medicações para glaucoma,

vasoconstritores, corticosteroides, preparados homeopáticos

ou a base de ervas. O uso de lentes de contato,

esquema e cuidados, este aspecto é de grande importância

pois o uso de lentes de contato está associado há muitos

casos da presença desta síndrome.

 

Figura 5: Mecanismos para o aumento da osmolaridade lacrimal. O diagrama acima demonstra os principais mecanismos de diminuição

da secreção lacrimal e do aumento de sua evaporação, que se relacionam ao aumento da osmolaridade lacrimal.

FONTE: FRIDMAN et al, (2004).

Outros aspectos a se verifi car para um diagnóstico preciso

incluem saber o histórico cirúrgico ocular (por exemplo,

antecedentes de ceratoplastia, cirurgia de catarata e cirurgia

ceratorefrativa). Presença de distúrbios da superfície ocular

(por exemplo, vírus do herpes simples, varicela zoster,

penfi góide ocular e das membranas mucosas, síndrome

de Stevens Johnson, aniridia, doença do enxerto versus

hospedeiro). Cirurgias oculares em geral. Tabagismo ou

exposição à fumaça por tabagismo passivo, doenças dermatológicas

como rosácea, psoríase, técnica e frequência

de lavagem facial, incluindo higiene das pálpebras e cílios,

doenças infl amatórias sistêmicas (por exemplo, síndrome

de Sjögren, doença do enxerto versus hospedeiro, artrite

reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerodermia).

Outras condições sistêmicas (por exemplo, linfoma,

sarcoidose). Medicações sistêmicas (por exemplo, antihistamínicos,

diuréticos, hormônios e antagonistas hormonais,

antidepressivos, medicações antiarrítmicas,

isotretinoína, difenoxilato/atropina, antagonistas betaadrenérgicos,

agentes quimioterápicos e qualquer outro

medicamento com efeito anti-colinérgico). Trauma (por

exemplo, mecânico, químico, térmico), considerando-se

ainda infecções virais e outras cirurgias da região facial e

Figura 6: Hiperemia e neovascularização em córnea Fonte: Cusato Jr.

 

 

Outro aspecto

a se analisar

é a oxigenação

correta

da córnea, pois

para o seu bom

funcionamento

a córnea produz

glicose para

gerar a energia

de que necessita.

Neste processo

utiliza o

oxigênio e produz

o dióxido

de carbono. A

córnea como

 

sendo uma estrutura avascular distribui esta energia para

o estroma anterior e epitélio. Este oxigênio é obtido pela

difusão do oxigênio existente no ar ambiental durante a

abertura das palpebrais e pelos vasos tarsais e conjuntivais

quando fechados.

O oxigênio também pode ser obtido pelos vasos do

limbo e pelo próprio humor aquoso que fornece oxigênio

principalmente para o endotélio e estroma posterior.

O fornecimento inadequado de oxigênio causa diversas

alterações morfofi siológicas. No caso do estroma além da

concentração de ácido carbônica e a provocação de desequilíbrio

osmótico, permite a entra de líquido incorretamente

na córnea, infecção limbal, morte de queratocidos,

estrias e pregas que ocorrem devido a infl amação da capa

posterior da córena, a qual produz linhas verticais, estriais

estromais e pregas na camada de Descemet. Infi ltrados

e neovascularização, como no caso dos danos ao epitélio

que libera enzimas devido a infl amação.

A hipóxia e suas alterações ocorrem principalmente durante

o uso de lentes de contato de baixa permeabilidade

ao oxigênio ou as LC de uso prolongado ou mal ajustadas.

Os efeitos recorrentes da hipóxia se manifestam por

trocas morfológicas funcionais que afetam diversos tecidos

oculares. Esta falta de oxigenação correta e suas consequências

podem levar ao aparecimento da síndrome do

olho seco.

Esta síndrome possui o tratamento baseado na diminuição

dos sintomas e desconfortos gerados, podendo

ainda ser utilizados anti-infl amatórias, secretagogos

e outras estratégias estejam em uso ou em estudo. O

DEWS, novamente baseando-se no painel Delphi, propõe

diferentes métodos, de acordo com a gravidade da doença.

Eles variam desde educação ao paciente até o uso

de medicações tópicas e sistêmicas. Dentre as tópicas

 

 

 

Figura 7: Classifi cação da gravidade do olho seco baseado no DEWS. FONTE: FONSECA, ARRUDA e ROCHA (2010).

do pescoço. (American Academy of Ophthalmology, Novembro 2015).

destacam-se as lágrimas artifi ciais, os anti-infl amatórios

(não hormonais, corticosteróides, ciclosporina A) e o soro

autólogo. Medicações de uso sistêmico incluem ômega-3,

tetraciclina, secretagogos e anti-infl amatórios.

 

Considerações finais

A síndrome do olho seco é uma condição frequente,

porém há falta de concordância conceitual e classifi cação,

o que difi culta a detecção e o manejo da condição. Tanto

o diagnóstico adequado, quanto a abordagem terapêutica

são fatores determinantes para a qualidade de saúde visual

do paciente.

 

REFERÊNCIAS

ALVES, Jader da Silva. Olho Seco: Uma abordagem didática. Rio de

Janeiro: E_Papers, 2010.

CÓRNEA. Síndrome do Olho Seco. In. American Academy of Ophthalmology,

Novembro 2015.

FONSECA, Ellen Carrara; ARRUDA, Gustavo Viani; ROCHA, Eduardo

Melani. Olho seco: etiopatogenia e tratamento. In. Arq Bras Oftalmol.

2010;73(2):197-203.

FRIDMAN, Daniel. Et al. Olho seco: conceitos, história natural e

classifi cações. In. Arq Bras Oftalmol 2004.

 

Professor Sergey Cusato Jr OD MSc Vis Sci, FIACLE, FIBTPLC, ALOCM

Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de

Contato.

Director Brazilian Institute of Training and Contact Lenses Research.

Director da Associação Latino Americana de Ortoqueratologia

Master in Vision Science from the University of La Salle with Clinical

Practice in the areas of Primary Care and Contact Lenses at the University

Nova Southeastern University United States.

Sempre informando e unindo a classe óptica brasileira