Dr. Leôncio Queiroz Neto Ultilidade Pública

Tecnologia

rompe barreiras do olho seco

 

Nova tecnologia permite visualizar alterações na lágrima, melhora a adesão ao tratamento e

os resultados das cirurgias de ceratocone.

 

A poluição típica da primavera somada à baixa umidade

do ar faz 12% dos brasileiros sofrerem com a síndrome

do olho seco. Uma pesquisa “online” feita pelo oftalmologista

Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier em

Campinas, com 315 portadores de ceratocone, doença que

afi na e faz a córnea tomar a forma de um cone, mostra

que neste grupo a incidência de olho seco chega a 24%. A

boa notícia é que o especialista acaba de trazer para o Brasil

uma nova tecnologia capaz de diagnosticar até casos

assintomáticos da síndrome. O equipamento foi lançado

no início deste mês em Lisboa durante o congresso da ESCRS

(European Society of Cataract & Refractive Surgery).

O médico afi rma que substitui o diagnóstico subjetivo por

avaliações objetivas que podem ser visualizadas pelo paciente.

A avaliação contém informações das alterações nas

três camadas da lágrima – mucina, aquosa, lipídica – e das

glândulas de meibomio responsáveis por 80% da camada

lipídica do fi lme lacrimal.

Qualidade de visão

Queiroz Neto conta que a possibilidade de ver a melhora

da disfunção lacrimal durante o acompanhamento médico

do olho seco tem estimulado a adesão ao tratamento entre

europeus assintomáticos. Para ele, o mesmo deve acontecer

por aqui porque toda pessoa fi ca estimulada a seguir

um tratamento quando consegue enxergar a melhora. Em

quem apresenta sintomas, afi rma, o olho seco causa coceira,

queimação, olhos vermelhos e irritados, sensibilidade

 

 

 

à luz, desconforto para dirigir, trabalhar no computador,

ler e ver televisão. Tanto nos casos sintomáticos como

nos assintomáticos, o oftalmologista afi rma que a falta de

lágrima deixa a visão embaçada além de poder desencadear

alergia, conjuntivite, infl amação na córnea e danos

nas glândulas de meibomio.

“Mesmo que não cause outras doenças, o olho seco causa

perda da visão funcional. Por isso, compromete o resultado

das cirurgias de ceratocone, refrativa e catarata” pontua.

Para quem tem ceratocone, a coceira nos olhos é o

principal fator de risco evitável da progressão da doença.

Colírio e cirurgia preventiva

O oftalmologista destaca que a maioria das pessoas com

olho seco acreditam que podem usar qualquer lágrima

artifi cial e por isso pioram a síndrome. “Os colírios com

conservante podem tornar o problema crônico porque algumas

pessoas são alérgicas”, afi rma. A reação é ainda

mais frequente em quem tem ceratocone. Isso porque na

pesquisa feita pelo médico, 50% dos participantes tinham

algum tipo de alergia contra 20% a 30% da população. A

dica é escolher lágrima artifi cial sem conservante ou com

conservante virtual que desaparece quando em contato

com a superfície do o olho”, afi rma.

A única cirurgia que previne a progressão do ceratocone,

pondera, é o crosslink – associação de vitamina B2 (ribofl

avina) e radiação UV (ultravioleta) para aumentar a resistência

da córnea em até três vezes. A má notícia é que

este tratamento não pode ser feito em ceratocone avançado.

O especialista diz que cicatrizes na córnea sinalizam

que já passou da hora de tentar evitar a progressão.

 

Lente escleral

A evolução do ceratocone pode difi cultar a adaptação de

lente de contato rígida para corrigir ao ceratocone. Segundo

Queiroz Neto, uma alternativa pode ser a lente escleral

que invés de fi car apoiada na córnea se apoia na esclera,

parte branca do olho.

Outras vantagens deste tipo de lente são a maior estabilidade

no olho, a diminuição da evaporação da lágrima

e, consequentemente do olho seco, além de reter menos

corpos estranhos.

Anel intracorneano

Quem não consegue uma correção visual satisfatória com

lente de contato deve consultar um oftalmologista sobre o

implante de anal intracorneano. Trata-se de um implante

na camada interna da córnea, o estroma, para aplanar seu

formato.

Transplante

Queiroz Neto afi rma que o ceratocone responde por 7 em

cada 10 transplantes de córnea no Brasil, apesar de todos

avanços de tratamento e cirurgia que podem evitar o procedimento.

A cirurgia manual exige 3 vezes mais tempo

de recuperação e número de pontos, mas ainda é a mais

realizada no país. O primeiro passo para manter a integridade

do olho é consultar o oftalmologista periodicamente

e ter a máxima atenção com a lubrifi cação ocular, conclui.

Dr. Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista presidente do Instituto

Penido Burnier em Campinas/SP www.drqueirozneto.com.br

 

 

 

Sobre a Percepção Cromática... histórias, descobertas e teorias.
Juliana Matarezio Curiosidades

 

Escrever sobre cores não é uma tarefa fácil, elas podem nos levar por diversas áreas do conhecimento: Óptica, Fisiologia, Neurofisiologia, Biologia e até mesmo Metafísica. Sendo um tema muito atraente para todos que se envolvem com estudos sobre a visão.

O que pretendemos neste artigo é algo bem mais modesto do que grandes obras publicadas sobre o tema, mas a vontade de contribuir de uma forma mais condensada e suscinta nos motivou a traçar uma linha histórica acerca dos estudos sobre a visão de cores, uma viagem que remonta séculos e milhares de páginas.

Nosso obejtivo com isso? Incentivar e difundir conhecimento.

“Todos os homens, por natureza, anseiam o conhecimento. Uma indicação disso é o prazer que tomamos em nossos sentidos, pois, mesmo sendo além de sua utilidade, eles são amados por si mesmos, e acima de todos os outros, o sentido da visão. Pois não só a visão para a ação, porque mesmo quando não vamos agir em nada, preferimos a visão sobre quase todo o resto. A razão disso é que acima de todos os sentidos que nos faz saber, [a visão] traz à tona muitas diferenças entre as coisas.”

Aristóteles

 

A infinidade de cores que percebemos faz com que a cor seja uma sensação subjetiva e cercada por enigmas. Pessoas ao falar sobre cores dizem que sua experiência é exclusiva. Sabemos que não percebemos as cores do mesmo modo. Da mesma forma como não sentimos uma dor com a mesma intesidade, mas mesmo assim podemos saber o que é uma dor de dente sem precisar ver a ficha dentária do outro. Assim também podemos chegar a um consenso sobre as diferenças entre as cores “laranja” e “roxo”.

Somos capazes de organizar objetos da mesma cor, mesmo que existam pessoas melhores nisso do que outras. Concordamos que existe um eficiente sistema de organização de cores, que nos possibilita agrupar objetos de maneira coerente, e com pouca discordância de quem esteja ao nosso lado. Localizamos a cor no espaço de maneiras ligeiramentes diferentes, mas todos vemos a mesma cor no espaço.

História das Cores

Os cientistas do século 17 estavam interessados no comportamento da luz – as luzes coloridas avistadas através dos prismas eram motivo de fascínio. Em 1666, no quarto onde nascera, no solar Woolsthorpe, Lincolnshire, Isaac Newton (1643-1727) iniciou suas experiências como o “famoso fenômeno das cores”, no qual ele faz algumas considerações importantes, como de que a cor não é uma propriedade dos objetos, mas de que é gerada pelo próprio olho. Ele atribuiu valores físicos para as diferentes luzes coloridas, salientou que a luz branca não era uma coisa única; mas a mistura das diferentes espécies de luz. Mas ele falhara em explicar o processo de reflexão, na qual enxergamos as cores. Restou-lhe pesquisar como separar as características físicas das cores de suas propriedades fenomênicas. Não conseguiu e sabia que fracassara, por isso postergou por 12 anos a publicação de seu livro “Opticks”, até a morte de seu rival e gênio da época, Robert Hooke, cuja obra “Micrographia” (1655) também merece ser lida.

 

Nascido em 1773, em uma família de quakers, Thomas Young, o “Fenômeno” assim apelidado por seus colegas da Universidade de Cambridge, era Médico e professor de filosofia natural. Das muitas constribuições para a ciência, salientamos que, apenas aos 20 anos de idade, mostrou aos membros da Sociedade Real como o olho humano acomoda usando os músculos ciliares. Em 1801, proferiu palestras diversas sobre acústica, bombas de ar, vida animal, astigmatismos e astronomia, e naquele mesmo ano também provou que a ”luz era uma onda”. Mas, de certa forma, foi ignorado pela comunidade científica por sua teoria desmentir à Newton sobre sua teoria corpuscular da luz, na qual ele afirmava que a luz era um tipo de matéria.

Thomas Young

 

De fato, o maior número de impulsos que um nervo pode transmitir é ligeiramente inferior a 1.000/segundo, ao passo que a frequência de luz é de um milhão de milhões de ciclos por segundo. O problema é o seguinte: De que modo a frequência da luz é representada pelo sistema nervoso que é de lenta ativação?

No final do século 19 estava evidente que qualquer correlação entre a física da luz e a percepção de cores poderia ser explicada pela biologia. Auguste Fresnel realizou uma série de experimentos com provas mais concretas alguns anos depois. Prova de seu talento e vantagem intectual para desenvolver experências, graças a Fresnel, Thomas Young, pode dar corpo a sua teoria pela qual ele é até hoje reconhecido, pois ele buscou respostas da existência das cores primárias não na natureza da luz, mas na constituição do homem.

Young entendera que seria impossível existir um tipo de célula para cada cor percebida, pois, para que isso ocorresse, seria necessário mais de 200 tipos de fotoreceptores diferentes. Escrevendo um pouco mais tarde, ele reiteirou que as “cores principais eram três”.

A possibilidade de que toda gama possa ser dada por apenas algumas cores “principais” fica evidente através da observação de que as cores podem ser misturadas, pois o olho se comporta diferente do ouvido a esse respeito. Dois sons podem gerar um terceiro ao ser misturado, mas duas cores dão uma terceira cor em que seus componentes não podem ser identificados. Os sons combinados podem ser ouvidos como um acorde, mas cada som de cada instrumento pode ser identificado separadamente, pelo menos aos ouvidos bem treinados, mas com a luz isso não é possível.

 

É preciso que nessa altura sejamos claros sobre o que dizemos acerca da mistura de cores. O pintor combina amarelo e azul para produzir o verde, mas ele não está misturando luzes; o que esta fazendo é misturar espectro total de cores “menos as cores absorvidas pelos seus pigmentos”. Eu sei... você deve estar pensando: “que confuso isso!” mas é mesmo. Por isso vamos deixar de lado os pigmentos e considerar apenas a mistura de luzes coloridas, as quais podem ser obtidas por filtros e prismas. O amarelo é obtido na combinação da luz verde com a vermelha, para Young o amarelo é sempre visto de maneira eficaz quando os dois grupos de receptores verde e vermelho são estimulados de maneira equilibrada. A teoria tricromática proposta por Thomas Young (1773-1829), e desenvolvida por Helmholtz, ainda é a melhor que temos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edwin H. Land, foi sem dúvida, depois de Thomas Edson, o inventor mais prolífico a ter suas invenções catalogadas no registro de patentes americano. Nascido em 1909, em Connecticut, era fascinado pela óptica. Com apenas 19 anos inventou o filtro polarizador. Land que desejava salvar vidas, beneficiou a humanidade de maneira indireta: inventou os óculos de sol, filmes em 3D, vários instrumentos para laboratório e, em um dia ensolarado passeando com sua filha em um zoológico, imaginou a fotografia polaróide. Suas pesquisas sobre visão, significaram realmente um grande avanço sobre o conhecimento do assunto. Sua teoria marcou época e ficou conhecida como teoria “retinex” que significa retina + cortex.

 

Edwin Land prepara um mondrian para testar a solidez da visão de cores.

Unindo os conhecimentos da teoria da oponência cromática de Hering, a qual na edição passada explicamos, e a teoria tricromática de Young-Helmholtz, feito que até então poucos tentaram, de tão antagônicas que aparentavam ser, e reproduzindo todas as experiências já realizadas para verificar até onde chegava a percepção de cores. Land chegou a conclusões fenomenais. Para ele contexto é tudo. O olho não está interessado em níveis absolutos de iluminação, tampouco, valores absolutos de cor. Cada cor é percebida em relação à outra, assim cada trecho de luz é percebido em relação a cada trecho de sombra. Ou seja, percebemos a cor de uma superfície comparando sua capacidade de refletir comprimentos de onda curtos, médios e longos contra a das superfícies adjacentes. Em outras palavras, fazemos uso do contraste das cores do local. Diminuindo o contexto visual, ficaremos suscetíveis às ilusões de contrastes. Os três contrastes que afetam nossa percepção da luz são: quão vívida é a luz; tonalidade (sua cor); e saturação (como a luz é diferenciada de um cinza que tem a mesma luminosidade).

Caso esteja achando muito complicado, proponho um teste muito simples: na figura abaixo temos dois blocos com tons de cinza de diferentes tonalidades certo? Não mesmo! Experimente colocar seu dedo bem no meio da divisão entre os blocos e descubra você mesmo.

 

Como isso é possível ? Land já nos respondeu: “o contexto é tudo”. Ao mudar o contexto, ou seja, colocar seu dedo entre os blocos, a ilusão de percepção existente foi eliminada. A ilusão Cornsweet explora a inibição lateral do cérebro, que cria mais contraste entre os dois objetos quando eles têm diferentes bordas coloridas. Ao colocar o dedo eliminando o contraste, vemos que a grande diferença de tonalidade entre os cubos era ilusória.

Edwin Land morreu em 1º de março de 1991, aos 82 anos. Seu trabalho prático, seus algoritimos e seu kit básico – mondrians e projetores – tornaram-se matéria-prima dos laboratórios que estavam desenvolvendo as melhores câmeras fotográficas e a visão artificial.

 

Sobre a Discromatopsia

 

De Manchester, em fevereiro de 1794, um professor quaker, John Dalton, escreveu para seu amigo e mentor Elihu Robinson:

“Estou envolvido atualmente em uma pesquisa muito instigante: no verão passado, descobri que vejo as cores de maneira diferente das outras pessoas. Durante o dia eu vejo as flores de Cranesbills da cor do céu, enquanto os outros dizem que são rosa vivo. Certa noite, quando as vi à luz de velas, percebi uma cor muito diferente da que tinha visto durante o dia; parecia próxima do amarelo, mas com toques vermelhos. Ninguém mais dizia que a cor era diferente da diurna, exceto meu irmão, que parece ver assim como eu...”

 

Uma simples flor cor-de-rosa serviu de tema para o primeiro artigo científico de Dalton, conduzindo-o para uma carreira de sucesso. John Dalton (1766-1844), continuou suas pesquisas, desenvolveu a morderna teoria atômica, diversas leis sobre o comportamento dos gases e tornou-se célebre por seus serviços à ciência, filantropia e educação. O termo daltonismo, derivado do seu nome, ficou mundialmente conhecido como a incapacidade de ver cores, ou discromatopsia.

Seu primeiro artigo científico, Extraordinary facts relating to the vision of colours, publicado em 1798, foi uma revolução. A indústria estava tornando o mundo mais colorido, através da implantação de placas coloridas de identificação. Esse tipo de sinalização estava se proliferando, facilitando a vida dos operários e das pessoas que viviam em gandes centros urbanos. O ensaio de Dalton – uma descrição rigorosa da discromatopsia – sugeriu que a cor não era uma linguagem universal como todos na época concordavam.

Um século depois, em 1875, uma colisão de trens na Suécia, deixou todos atônitos pelo simples fato de o acidente ter sido causado por um maquinista que não reconheceu a cor vermelha de aviso. A partir de então, começou a se desenvolver testes de visão de cores, para todos os funcionários, o que acabou sendo norma em todos os países. Hoje, a cegueira de cores é menos perigosa que no passado, mas ainda é uma desvantagem, principalmente, para quem trabalha com internet, pois os sites não são desenvolvidos para os daltônicos.

Após sua morte, seu médico pessoal e amigo, Joseph Ransome, removeu os olhos de Dalton para analisar, e percebeu que os humores aquoso e vítreo eram incolores, assim como o cristalino, que estava um pouco amarelado devido à idade avançada. Dalton, que havia desenvolvido sozinho a teoria atômica moderna, além de seus estudos sobre a existência e hereditariedade da discromatopsia, entre outras doenças, por meio de seu médico e além-túmulo, sua experiência póstuma e final, testando a teoria por ele cultivada durante 50 anos devido a sua própria discromatopsia. O resultado foi conclusivo: Dalton estava equivocado. Até o dia de hoje a teoria de Young sobre a cegueira das cores é aquela com a qual nos sentimos mais confortáveis.

O que sabemos sobre percepção de cores atualmente?

 

Para distinguir o tipo de fótons que chegam, existem os cones, ou melhor três tipos de cones, os quais contém pigmentos que absorvem preferencialmente fótons de grande, médio ou pequeno comprimento de onda. Para simplificação podemos designá-los de cone azul (absorve preferencialmente fótons de pequeno comprimento de onda), cone verde (absorve preferencialmente fótons com comprimento de onda médio) e cone vermelho (absorve fótons preferencialmente com grande comprimento de onda).

Perante uma luz monocromática cada um dos cones vão absorver diferentes comprimentos de onda, para produzir uma resposta que será proporcional ao número de fótons absorvidos. O tamanho relativo de cada uma das três respostas será então medido e interpretado pelo cérebro do qual resultará em uma determinada cor. Investigações recentes comprovaram que cada cone contém pigmentos sensíveis à cada um daqueles comprimentos de onda, mas também revelaram que em cada fotorreceptor predomina um tipo de pigmento, ou seja no cone azul existem também pigmentos sensíveis ao verde e ao vermelho mas numa quantidade muito diminuta em relação aos pigmentos que são sensíveis ao azul.

Proporcionalmente, podemos dizer que num cone azul existem 100 000 pigmentos sensíveis ao azul para 1 pigmento sensível ao verde ou ao vermelho. A constituição dos nossos cones é determinada pelos nossos genes mais concretamente, pelo cromossoma sete, e pelo cromossoma X. Uma má formação neles podem ter como consequência uma má formação dos cones e dos respectivos pigmentos, o que levará à uma deficiência na percepção da cor numa determinada zona do espectro visível (exemplo do Daltonismo).

Tipos de Daltonismo

Não existem níveis de Daltonismo, apenas tipos. Podemos considerar que existem três grupos de discromatopsias: Monocromacias, Dicromacias e Tricromacias Anômalas. A Dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de:

- Protanopia (em que há ausência na retina de cones “vermelhos” ou de “comprimento de onda longa”, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro.

 

- Deuteranopia (em que há ausência de cones “verdes” ou de comprimento de onda média, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho).

- Tritanopia (em que há ausência de cones “azuis” ou de comprimento de onda curta, resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo).

Nos séculos 18 e 19, a descrição dos processos físicos e fisiológicos da visão e percepção de cores, assim como a cegueria das cores nos forneceram as primeiras provas para os estudo da hereditariedade humana. Desde então, a ciência genética atual tem retribuído, oferecendo-nos uma história rica, complexa e completa da percepção das cores. Este fértil tema que foi o assunto deste artigo, não acaba por aqui, na próxima edição daremos continuidade. Até lá....

 

Consumo Digital: A Era das Redes Sociais
Milene Muñoz Marketing

 

 

A crescente demanda por aplicativos e as facilidades da vida digital mudaram o comportamento do consumidor. Desde a ascensão das redes sociais, blogs, vlogs, sites e aplicativos, o consumidor tem muito mais acesso as informações, oportunidades e lançamentos. Ainda é pequena a parcela que o e-commerce atinge, mas está crescente.

Hoje acessamos pelo celular todo tipo de mídia e compras on line (feitas por sites, aplicativos e cartões virtuais). A um clique utilizamos desde táxi até serviços médicos e bancários. Então, como se atualizar para fornecer mais produtos e serviços na era digital?

 

Para começar, conhecer as vantagens do uso das redes sociais para divulgar seus produtos e serviços. A principal vantagem é que a maioria dos serviços nas redes sociais para divulgação é gratuita e alcançam uma grande gama de usuários. Pode ser criada uma página (no Facebook) ou um perfil no Instagram (rede social de fotos). Há nessas redes a opção paga com serviços diferenciados, mas vale primeiro testar na versão gratuita. Outras opções: Snapchat, Pinterest e Flickr.

 

Outra opção bastante utilizada é o Whatsapp (aplicativo) , seja para mensagens, vendas e anúncios de promoções. Uma forma simples, barata e atrativa de comunicar com os clientes. De certa forma, substituiu o e-mail marketing em algumas funções. Algumas empresas optam também por blogs (textos) e vlogs (vídeos) como forma de divulgar seus serviços e informações bacanas como dicas aos clientes. O Youtube se tornou uma ferramenta valiosa para divulgação de vídeos e formação de influenciadores de comportamentos de consumo e produtos em moda.

• Público e gama de clientes:

 

Segundo o site Endeavor: https://endeavor.org.br/marketing-digital/ O primeiro passo para conquistar uma presença digital relevante é conhecer a fundo o público pretendido, seus interesses e necessidades, bem como seu perfil demográfico e de consumo. Nesta fase, não poupe tempo realizando pesquisas junto à sua base de clientes e analisando os resultados.

 

O importante é que você entenda quais são os assuntos, desafios, prioridades e comportamento de consumo do seu público-alvo. Saber exatamente quem é o cliente da sua empresa te ajudará também a entender como seus produtos ou serviços são úteis para ele e, com isso, definir a melhor maneira de trazer esse cliente em potencial para os seus canais digitais. Lembre-se de que é muito mais simples, prático e eficiente direcionar suas ações de marketing para um público delimitado e que realmente é formado por clientes em potencial para o seu negócio do que tentar alcançar os 3 bilhões de usuários da rede.

 

• Marketing Digital: Termos e ferramentas de divulgação

O primeiro passo para usar as mídias como ferramenta de vendas é pensar em uma só palavra: Divulgar. Sim, o mais importante numa rede social é fazer com que seu nome/ marca seja conhecido pelo público que se quer atingir.  O número de acessos/ likes que se atinge e o interesse do público de interagir/ se comunicar vale muito. Manter as atualizações da página, usar da criatividade e termos de simples compreensão para o público em geral. Comunicação clara e simples são as chaves para uma divulgação bem feita.

 

Segundo Fernando Mola (site: digitalks) sobre acesso via mobile (celular) “Imagens estáticas, gifs e vídeos chamam muito mais atenção do que textos, então é importante focar nessas estratégias. Listas são uma boa alternativa para unir textos curtos e recursos visuais, mas não devem ser a única opção. No caso dos vídeos em redes sociais, é importante prender a atenção dos usuários nos primeiros segundos, já que o vídeo normalmente vai aparecer enquanto o usuário faz o movimento de rolagem. Nelas, o usuário pode não ativar o som ao ver o conteúdo, então é possível usar legendas como recurso adicional. Lembre-se que esse comportamento varia de acordo com a rede social escolhida para a produção do conteúdo. No Instagram Stories, por  exemplo, 70% dos usuários assiste aos vídeos com som.

 

• Mesclar Opções de Mídias

É importante ressaltar o uso de mais de um tipo de mídia para uma abrangência maior. Para isso, basta ver junto aos clientes qual tipo de marketing de conteúdo que eles mais acessam. Podem ser mescladas redes sociais ou redes sociais e tutoriais, e-books ou vídeos de conteúdo (mais específicos) e-mail marketing e promoções em redes sociais.

 

• Resultados e métricas de marketing

As métricas em marketing são os parâmetros para avaliar as estratégias de marketing na web. Numero de acessos, likes, alcance das postagens, preferencias do publico e como as campanhas  geram vendas/ lucros. As ferramentas para as métricas são os ad-servers e webanalytics. Os ad-serves são sistemas que fornecem informações sobre o desempenho de campanhas online. Os webanalytics são sistemas que analisam o comportamento do tráfego no site. Acompanhar os resultados  auxilia na escolhas de melhores estratégias e mais amplitude de mercado.

 

Para os próximos artigos, analisaremos as possibilidades de elaborar estratégias de marketing digital e as influências na área de vendas em Óptica.

 

 

 

Milene Muñoz

Técnica em Óptica / Ótica Monte Cristo

Administradora de empresas hab. marketing/ Universidade São Francisco

 

 

Claudia Cunha

 

NRF-2018 | 14 a 16 de janeiro | |Nova York, Estados Unidos.

Mais do que falar do futuro do varejo, a 107ª. NRF Retail´s BIG SHOW, a Convenção Anual Americana de Varejo, foi palco para discussões sobre sustentabilidade e permanência. Durante 3 dias, especialistas de vários países falaram para mais de 30.000 visitantes sobre como sobreviver em um mundo cada vez mais competitivo, globalizado e totalmente transformado por avanços tecnológicos que mudaram o comportamento do consumidor e os negócios. Comprar e vender tornou-se diversificado, complexo e amplo. Mesmo em tempos de Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Big Data e Inovações sem fim, para sobreviver e vencer, o desafio é descomplicar e fazer acontecer de forma surpreendente.

 

Vista geral interna do Jacob Javits Center, durante o NRF-2018 Foto:CCunha

Representando o Brasil, estiveram presentes empresários, profissionais e lideranças setoriais, a maioria organizados em delegações de empresas especializadas e instituições como BTR-Varese, Câmaras de Dirigentes Lojistas, Gouvêa de Souza, Fundação Getúlio Vargas entre outras. Pela segunda vez, fiz parte da delegação da FACESP, a Federação das Associações Comerciais do Estado de SP que reuniu varejistas de várias cidades, além da capital paulista.

 

 

 

Como acontece há anos, muito se falou sobre relacionamento e engajamento entre consumidores e marcas, avanço e acessibilidade a tecnologias, dados e informações para melhorar processos e conduzir ações e tomadas de decisão. Bem mais do que só o ponto de venda, muito se discutiu também sobre o papel atual da loja e o valor insubstituível das pessoas.

Em boa sintonia com sua fala sobre conexão entre passado e futuro, logo no primeiro dia o presidente da Levi´s, marca líder de jeans com mais de 150 anos, surpreendeu ao chegar de bicicleta, vestindo sua jaqueta equipada com dispositivos inteligentes que o guiavam por GPS. JC Curleigh afirmou que a Levi´s continua firme na liderança porque soube transformar consumidores de calças jeans em fãs da Levi´s. Para entregar mais para seus fãs, a Levi´s expandiu a oferta de produtos para camisetas, shorts, sapatos etc e ampliou seus canais de venda. Quando perguntou se alguém na plateia se lembrava de quem é o 2º. lugar no ranking de marcas de jeans, o público silenciou. Claramente, estava ali o resultado de uma marca centenária que continua engajada com seus consumidores.

 

JC Curleigh, da Levi’s chega pedalando em estilo despojado e “high tech” Foto: Official NRF2018

Especialistas brasileiros também se apresentaram no congresso internacional.

Alberto Serrentino falou sobre perspectivas para implantar cultura digital nos negócios e deixou claro que não basta querer entrar no meio digital. É necessário dar prioridade ao assunto, da estratégia a execução.  Ressaltou ainda que criar hábitos e cultura digital, ter estrutura e processos para otimização dos negócios digitais é mais importante do que a própria tecnologia. No mesmo painel, Flavio Dias, da Via Varejo, varejista que tem sob sua bandeira digital marcas como Casas Bahia e Ponto Frio, deu um show exemplificando na prática o que diz Serrentino sobre o segredo do sucesso no varejo: alto nível de experiência de compra e baixo atrito na operação constituem a fórmula mágica que resume tudo.

 

 Cultura digital, por Alberto Serrentino

Marcos Gouvêa falou sobre como marcas se diferenciam entregando mais serviços e apresentou, em primeira mão, as “8 ondas para surfar” no varejo de serviços.

 

 

Confira as “8 ondas” apresentadas por Marcos Gouvêa e reflita sobre como agregar valor de serviços ao seu negócio:

1. Início: serviços básicos operados por terceiros

2. Primeiro passo: serviços básicos operados pelo próprio varejista

3. Expansão: agregar serviços financeiros

4. Diversificação: buscar oportunidades além do produto principal

5. Derivação: serviços oferecidos como um novo negócio, a partir do negócio principal

6. Digital: alavancar oportunidades de venda de serviços através do meio digital

7. Fornecedores: buscar os que entram no mercado oferecendo serviços

8. Inversão: marcas começam a focar mais em serviços do que em produtos

Em tempo de avanços tecnológicos, vale destacar o Innovation Lab, área do NRF totalmente dedicada às inovações tecnológicas. Lá é possível encontrar solução inteligente para as operações mais diversas do varejo: compra e reposição de produto, formação de preços, interação de consumidor no pdv, customização, merchandising e ambientação de loja, comunicação e relacionamento entre marcas e consumidores. É pura tecnologia a favor da gestão, cada vez mais acessível em todos os aspectos, incluindo custos.

 

 Um mundo de novas possibilidades no Innovation Lab Fotos: Official NRF 2018

Sobre PESSOAS.

Arianna Huffington surpreendeu e deixou a plateia em silêncio profundo ao lançar uma pergunta: “Como podemos esperar mais das pessoas se, cada vez mais, as pessoas fazem menos até por elas mesmas?”.  Todos nós incluídos na reflexão da especialista que, com voz calma e um tanto irônica, afirmou que estamos fazendo muito o que não é essencial e produzindo pouco o que deveria ser o essencial. Complexo e estarrecedor. Arianna é fundadora do inovador e premiado site de notícias Huffinton Post e da Thrive Global, uma plataforma empresarial e de bem-estar corporativo e de produtividade com a missão de mudar a forma como trabalhamos e vivemos ao acabar com a ilusão coletiva de que o desgaste é o preço que devemos pagar pelo sucesso. Seu livro The Sleep Revolution: Transforming Your Life, One Night At A Time (A Revolução do Sono: transformando sua vida, uma noite de cada vez) rapidamente se tornou best seller mundial e referência no campo da ciência, história e sobre os mistérios do sono. Ela afirma que déficit de atenção é atualmente o grande vilão para os negócios. Dormir pouco, usar muito o celular, viver a vida em mensagens de texto, ter vida paralela e estendida no mundo digital são malefícios da conectividade que deixam o Homem em risco para viver o essencial e produzir o que realmente importa. Empresas com funcionários desatentos e não comprometidos e funcionários liderados por mentes superficiais e desconectadas do mundo real são realidade em muitas empresas atualmente. Em tom de brincadeira, deixou um bom conselho para todos dizendo que em suas empresas as reuniões sem dispositivos e conexão, “device free meetings”, foram um santo remédio para reconectar as pessoas e as ideias, além de elevar o nível intelectual de produtividade aos interesses da empresa e das próprias pessoas também. Premiada, a dona desses pensamentos, no mínimo, nos faz refletir melhor e repensar sobre nossos hábitos.

 

Arianna Huffington discursa a favor do descanso das mentes para elevar o nível de produtividade intelectual nas empresas.

Mesmo que Você tenha os melhores produtos e as mais novas tecnologias, que tal pensar em vender além do seu produto principal? Você já pensou em estar presente em outros canais, além da sua loja? Já refletiu sobre qual é o seu nível de cultura digital e o de sua empresa? Não vamos falar de atendimento nem de e-commerce. Atender bem não é mais diferencial, é obrigatório atualmente. Varejo digital não é mais futuro, é realidade. Estamos falando sobre ampliar possibilidades de negócios, para isso é preciso fazer muito mais e rápido. Buscar parcerias estratégicas para otimizar e ampliar seu negócio, usar tecnologias para afinar a comunicação com o seu cliente, oferecer atendimento que resolve e não apenas sorri e entrega produtos. Não espere que o consumidor vá até sua loja, antecipe-se e vá até o seu cliente, esteja ele onde estiver. Estamos falando de conquistar um lugar cativo para sua marca na mente do seu cliente.  Isto o fará querer comprar da sua marca, ou loja, porque sua marca se comunica com ele, tem o produto certo para ele e tem as pessoas certas para atendê-lo de um jeito único. Estamos falando de encantar, de entregar desejos, de realizar sonhos. É isso que move a humanidade e o varejo também. O restante qualquer um faz.

 

 

Claudia Cunha, graduada em Comunicação (PUC-SP), MBA em Gestão Empresarial (ESPM-SP), Especialização em Varejo (FGV-SP). Comunicação Estratégica, Marketing de Relacionamento, Gestão de Marcas, Comportamento de Consumo, Processos de Decisão de Compra, Varejo.

 

 

Sempre informando e unindo a classe óptica brasileira